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A Casa de Papel encontra sua maioridade na terceira temporada

Netflix

A Casa de Papel, como todo seriado que foge ao óbvio, padecia de um problema sério: a necessidade de explicar, contextualizar e dimensionar seus personagens e seu universo. Para funcionar uma ideia mirabolante, era necessário explicar relações, histórias, acontecimentos. Mas a sorte é que tudo isso ficou para trás.

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Estruturado de uma forma pouco usual, na qual a primeira e a segunda temporada se completam finalizando uma parte da história, a terceira temporada funciona da mesma forma, com a continuação mas em um novo ciclo narrativo, que somente será completado na quarta temporada. 

Conhecidos os personagens principais, novos integrantes são adicionados ao grupo, adotado novos e curiosos nomes de cidades – um argentino chamado Palermo, uma espanhola chamada Lisboa, velha conhecida do público e a melhor de todas, uma antiga refém chamada de Estocolmo, clara referência à síndrome psicológica. Nessa temporada, mais do que nas anteriores, o grupo de assaltantes realmente parece formar uma grande e disfuncional família, e todos respondem ao chamado quando um deles se vê em problemas, sendo sacados de seus paraísos particulares, de uma forma engenhosamente articulada pelo Professor, como não poderia de ser.  

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Só que a série entrega mais que saudosismo plastificado. Engrandecida por um ritmo narrativo forte e incessante, a terceira parte de Casa de Papel consegue, indo e voltando no tempo, achar o equilíbrio perfeito entre a ação, o planejamento de um novo golpe e a exploração dos relacionamentos, novos e antigos, sem ser piegas e ainda assim achando um espaço para trazer de volta o espetacular Berlin, amado por uns, odiado por outros. Golaço.   

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Belas atuações, uma trilha sonora renovada que ainda brinca com o sucesso Bella Ciao, e uma narrativa eletrizante que encontra o momento certo para a apreensão, a comédia (impagável a piada com o coaching), o suspense e a ação, achando espaço para pitadas de sensualidade, a Casa de Papel que todos achavam que já tinha dado o que tinha que dar, se prova melhor do que era, atual e moderna (o momento V de Vingança é espetacular), e demonstra fôlego e vitalidade, ao menos para essa terceira e para a quarta parte, já em gravação. Só resta algo a dizer: bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao. E como os reféns da casa da moeda, os expectadores estão rendidos esperando o desfecho desse improvável sucesso.  

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Escrito por Bene!

Um curioso acima de tudo. Amante das artes, busco viver sem rótulos e explorar o que a alma pede. Escrevo sobre o que gosto, amo, odeio, me faz pensar e me faz sentir. Espero que minhas ideias, palavras e ações sejam meu legado. Bem vindos e espero que gostem.