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Com mais de 400 entrevistas, Marcos Michalak conta tudo sobre sua trajetória no universo das novelas

Marcos Michalak

Com o Instagram carregado de nomes que fizeram e fazem parte da dramaturgia nacional,  o influencer Marcos Michalak aproveitou a pandemia em 2020 para levar ainda mais entretenimento para seu público: os noveleiros de plantão.

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Com mais de 400 entrevistas e prestes a atingir 100 mil seguidores, ele carrega em sua rede social (@noveleirosreal) nomes como Juliana Paes, Rodrigo Lombardi, Lilia Cabral, Susana Vieira, Lucélia Santos, Maria Zilda, Claudia Alencar, Mara Maravilha, Maitê Proença e Tony Ramos.

Atendendo a pedidos do público, que agora tem a oportunidade de revisar novelas antigas pelo streaming do Globo Play, e também por meio do Canal Viva, Marcos também tem resgatado nomes da teledramaturgia que permanecem no interesse de todos os telespectadores. Atento ao sucesso que o rapaz vem fazendo pela internet, a coluna convidou Marcos para um bate-papo para saber um pouco mais sobre seu interesse e sua trajetória no universo novelístico.

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Você sempre assistiu novelas? Como nasceu esse interesse pela nossa teledramaturgia?

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Marcos: “Eu sempre tive aquele carinho especial pelas telenovelas. Sempre assistia com meus pais, eles sempre foram noveleiros também. Desde criança, então, ficava em frente à televisão conhecendo as histórias e fui me apaixonando. Tive essa paixão desde criança e preferia ficar em frente TV do que, muitas vezes, ficar com os amigos, jogar videogames, ou fazer outras atividades”.

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Quais foram as novelas mais marcantes da sua vida?

Marcos: “São várias. Teve o Bem Amado que fiquei fascinado pelos personagens, Zeca Diabo que me vem a cabeça e me marcou muito, Roque Santeiro, o Lobisomem, que marcaram aquela época de infância principalmente. Mas também teve outras novelas como Mulheres de Areia, A Viagem e Sonho Meu. Acho que essas novelas foram as que mais me marcaram e remetem a minha infância com personagens que foram muito marcantes para mim. E acho que foram muito simbólicas também pelo fato de serem dramas, mas de emoção mais leves, com trilhas sonoras incríveis e com histórias que deixaram todos fascinados nos anos 80 e 90. Os textos e diálogos mais longos me fascinava mais e tenho uma memória muito afetiva sobre isso, simbolizou muita coisa para mim”.

As novelas desempenharam um papel muito importante para a quebra de muitos tabus na sociedade. Você concorda? Como percebe essa questão?

“Concordo. E essa quebra de paradigmas acaba acontecendo, pois, elas mostram muitas vezes a realidade. Claro que de acordo com os anos as novelas foram mostrando mais, como, por exemplo, o primeiro beijo gay, as trans, quebrou muito paradigma na sociedade. Acho que mostra muito também essa parte do amor, principalmente o amor ao próximo, como podemos observar nas novelas mais românticas, e isso é muito bom. Acabo me apegando muito a essas tramas também. E também as novelas mostram as diferentes realidades e contextos sociais diversos em que estão inseridas uma diversidade de pessoas, né! Muitas novelas, por exemplo, vieram para mostrar as pessoas como elas são, e que a gente precisa aceitar as pessoas como elas são, sejam héteros, gays, pretos ou brancos”. 

Que tipo de novela te atrai mais?

“Sempre foram as novelas com um tema mais romântico, mais leve, mais de amor. Mulheres de Areia, por exemplo, é uma obra que está muito viva na minha memória afetiva, nas cenas, a trilha sonora, os romances e diálogos, assim como A Viagem pela temática espírita sempre com muito sucesso. É um tema que envolve muitas pessoas e hoje vejo que algumas tramas atuais não trazem mais esse carinho e esse amor que mexia muito com as pessoas. Isso é o que mais me atrai numa novela. Foram duas novelas que acho que foram as mais marcantes para mim”.

Como esse trabalho foi se estruturando na sua vida? Podemos dizer que hoje você obteve um reconhecimento do segmento com alguns atores, autores e a imprensa. Como foi isso para você?

“Sobre ter esse reconhecimento foi muito gratificante. Desde 2018, quando coloquei o canal no ar com muito amor, carinho e respeito para homenagear o segmento, percebo que obter visibilidade fazendo algo que eu amo, que são as telenovelas, é um presentão. E foi tudo tão natural acontecendo, lembro que postava cenas e as pessoas repostavam, fazia lives com as entrevistas e as pessoas falavam e divulgavam na imprensa, e isso foi tão natural com o passar do tempo que, de fato, foi um presente na minha vida ver a proporção que esse trabalho pegou hoje”.

Você chegou a imaginar que esse trabalho atingiria tanta gente?

“Hoje completei 400 lives e tudo foi muito natural. Quando fui perceber, já tinham vários jornalistas e colunistas assistindo, replicando e repercutindo em matérias, dando notas sobre as entrevistas, então saber que teve esse reconhecimento, que foi fruto de uma vontade natural, isso me deixa muito feliz de verdade”. 

Como você observa as tramas do passado e como elas estão hoje?

“Na minha opinião as novelas do passado são as melhores. Até o comecinho dos anos 2000 havia muito amor e muito gosto pelas novelas. Depois poucas tramas me fisgaram tanto a ponto de me deixar assim em frente a TV assistindo capítulo a capítulo. As antigas prendiam mais o telespectador com os diálogos mais longos, aquele romantismo com as trilhas sonoras casando perfeitamente com cada personagem. Hoje em dia eu vejo muito as novelas sendo mais sensacionalistas, tendo aquelas cenas mais fortes para chamar atenção, mas não tendo mais aquela história gostosa de assistir com o prazer de ver a novela do início ao fim. Com essas mudanças as novelas estão ficando cada vez mais rápidas, mais curtas com menos capítulos, e com essa pandemia e o coronavírus teremos mais mudanças em relação aos atores em cena e acho que vamos enfrentar mais mudanças por aí”. 

Que comparação você faz entre as novelas da Globo, RecordTV e SBT?

“Acho legal que as novelas no Brasil têm público para todas as idades, todas as pessoas. Por exemplo, no SBT, são novelas mais voltadas para o público infanto-juvenil, para as famílias, já na RecordTV estão em alta as superproduções bíblicas, eu mesmo assisto todas da RecordTV, vejo principalmente as bíblicas por serem histórias do nosso passado. Acabei conhecendo muito sobre as histórias. Na Globo vejo que são novelas mais maduras, adultas, e que tem vários temas polêmicos e atuais ao mesmo tempo”. 

Quais são os pontos fortes das novelas no Brasil e o que poderia melhorar?

“Os pontos fortes das novelas brasileiras se apoiam no padrão que elas seguem, os temas sociais, por exemplo. Vejo que aqui os temas estão sempre à frente, algo que vai acontecer no futuro e que já está sendo contado pelas novelas, ou por meio de assuntos bem polêmicos. Acho que poderia melhorar o fato da escolha dos personagens, dos atores, no sentido de dar oportunidade para mais gente, e quem sabe até trazer mais pessoas de fora que tem sonhos em participar das novelas brasileiras. Entrevistei atrizes mexicanas, por exemplo, que possuem sonhos de participarem das nossas tramas e achei muito interessante isso”. 

Durante todo esse trabalho que você vez desempenhando, alguma situação marcante ou inusitada ficou na memória?

“Teve uma situação desesperadora no dia da live com a Lilia Cabral. Eu já estava me preparando para a live, cinco minutos antes de começar já havia conversado com a Lilia, ela confirmando que já estava se maquiando, estava tudo certo, e quando ia começar acaba toda energia em Florianópolis, foi um vendaval terrível que gerou uma queda de energia em vários bairros, e fiquei até mesmo sem celular que não pegava para mandar mensagem. Não consegui avisar, a Lilia ficou super preocupada, e depois entrei em contato com ela, que entendeu tudo e remarcou a live. Fiquei chocado porque foi logo com a Lilia, uma atriz que admiro demais e isso ficou na minha cabeça até hoje”.  

Qual trabalho mais bacana que você fez e guarda com carinho?

“Todas as lives, para mim, foram incríveis, pessoas que, ao longo desses anos, queria conhecer. Mas tiveram algumas pessoas especiais como Juliana Paes, Susana Vieira, e outras duas pessoas especiais que sempre acompanharam meu canal: a Claudia Alencar e a Claudia Lira que sempre me apoiaram nesse meu projeto”.

Que recado você deixaria para os autores de novelas?

“Que continuem criando novelas e histórias envolventes que prendam a gente, e que principalmente levantem temas que ainda são tabus em nossa sociedade.  É por isso que nossas novelas, sempre à frente do tempo, se tornaram as melhores novelas do mundo”.

E para os atores?

“Continuem sempre nos emocionando, fazendo rir e chorar. Trabalhem sempre esses personagens com muito amor”.

E para os leitores da minha coluna?

“Deixo o conselho que continuem sempre presente nesse espaço. Acho você um grande profissional por isso aproveito esse espaço para convidar a todos que conheçam o meu canal e que continuem acompanhando as lives, principalmente as que estão relembrando o passado, pois são temas que fazem parte da nossa história e nossa cultura. Meu trabalho é algo que faço com muito amor. Receber esses artistas e escutar eles falando de toda essa história, o passado, os bastidores, reviver e recordar esses momentos é muito bacana porque com certeza todos têm um personagem ou uma música que marcou parte da sua vida. Então recordar é viver e esse é o conselho que deixo para todos”.

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Escrito por Alessandro Lo-Bianco

Passou pelas redações da BandNews, Editora Abril, Jornal O Dia, Rádio CBN, Jornal O Globo e RecordTV. Autor de 11 livros, é atualmente colunista do programa A Tarde é Sua da Rede TV! Tem nove prêmios de Jornalismo, dois cachorros e é pai de menina.
Instagram: @AlessandroLoBianco