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Yesterday acerta na história e trilha, mas erra feio no romance

Universal

Chamado pela mídia especializada como algo parecido a “o filme pra se sentir bem de 2019”, Yesterday, do cineasta Danny Boyle, explora uma hipótese interessante: o que seria de um mundo que não houvesse conhecido os Beatles? E se somente um cantor amador se lembrasse de John, Paul, George e Ringo? Em um apagão global de doze segundos, o músico amador Jack acaba atropelado, e quando acorda é o único que se lembra dos garotos de Liverpool, e resolve lançar as músicas dos Beatles como se fossem suas. 

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O curioso mote vale as quase duas horas de projeção, e serve como um belo tributo aos Beatles, servindo ainda como um divertido exercício de mostrar quantas coisas mudaram pela simples inexistência deles no mundo, sendo a mais óbvia a banda Oasis, e outras tantas que acabam servindo quase de “easter egg” para o espectador procurar, depois, a relação entre uma coisa e outra, o que gera boas piadas. 

Certamente, a parte mais divertida do filme é mostrar como alguns conceitos de músicas, capas, e títulos acabam por parecer datados se fossem explorados atualmente, e que ainda que sejam considerados clássicos eternos atualmente, foi o sucesso que assim os consagrou, tal qual a garrafa de Coca-Cola, e dificilmente teriam a mesma aceitação quase 50 anos depois. Ainda que parta das obviedades que se espera de um filme sobre os Beatles, o filme consegue boas surpresas e aparições inesperadas, que provocam a discussão sobre o preço do estrelato e de mudar os rumos da cultura pop mundial.  

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Contudo, nem tudo são sucessos. O filme parece não confiar na força de sua premissa e apela para um enquadramento tradicional desnecessário, que acaba sendo no gênero comédia romântica. E, para haver comédia romântica, além das piadas divertidas, ainda que não histéricas, é necessário um romance. E como romance o filme falhou miseravelmente. Lily James é chata, desinteressante e a única fundação do romance parece ser um comodismo bege, tão comum nos filmes britânicos. Algo que o filme teria ficado melhor sem. 

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Por sua vez, a atuação do novato Himesh Patel não decepciona. Dono de uma linda voz, o intérprete de Jack consegue vender sua atuação e seu papel, ainda que romanticamente seja um muro de tijolo, mas dificilmente essa cai em sua conta. Destaque para a interessante atuação de Ed Sheeran, como ele mesmo, além da espetacular Kate McKinnon, em sua acidez característica, que deixa seus papéis sempre interessantes, dessa vez como a brutalmente sincera agente ambiciosa de Jack. 

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Emocionante quando precisa ser (e obviamente piegas quando não precisa), Yesterday traz bela fotografia, já que a trilha dispensa comentários, e faz um merecido tributo a uma das maiores bandas de todos os tempos, escapando do formato cinebiográfico que consagrou os conterrâneos Queen e Elton John recentemente, servindo para todos os públicos, ainda que tenha apelo maior com os fãs do quarteto, e apresenta a banda para novas gerações. Fica claro ao assistir Yesterday que o mundo seria um pouco menor sem a genialidade dos meninos de Liverpool, ainda que o romance tenha ficado fora do tom. Mas como diria Paul, apenas…..Let it be.

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Escrito por Bene!

Um curioso acima de tudo. Amante das artes, busco viver sem rótulos e explorar o que a alma pede. Escrevo sobre o que gosto, amo, odeio, me faz pensar e me faz sentir. Espero que minhas ideias, palavras e ações sejam meu legado. Bem vindos e espero que gostem.