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‘Ghostbusters – afterlife’ é arte e homenagem juntos

Longa de Jason Reitmain honra material original e cativa novos e velhos fãs.

Divulgação: G1

Se havia dúvidas, ‘Ghostbusters – Afterlife’ acabou de vez com elas de vez. 2021 foi um ano de muitos resgates e nostalgias nos cinemas, simbolizado pelo grande sucesso de Homem Aranha Sem Volta para Casa, Matrix Ressurections e Ghostbusters, que assim como os demais levantava suspeitas de ser um caça-níquel, um reboot ou mesmo um momento vazio de fan service. Não poderia estar mais distante: Afterlife é um resgate e uma homenagem, como a águia bicéfala que encara seu passado e seu futuro com a mesma atenção.

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Afterlife se passa décadas após os acontecimentos no Empire State Building, respeitando a cronologia correta, evitando assim anacronismos e encarando o mundo atual e seus personagens originais com igual seriedade. Afinal, o que aconteceu com Egon, Ray, Venkman e Winston? O longa de 2021 ignora a divertida mas vazia versão de 2016 e mostra todos eles, respeitando o momento dos atores tanto quanto os personagens, fazendo uma muito bem pensada e ainda melhor executada mescla entre vida real e ficção, isso porque um deles vem a falecer enquanto escrevia o roteiro desse mesmo filme, tal como havia feito com os anteriores, e a solução não poderia ser mais bonita, conferindo uma outra camada ao filme: da mesma forma que ele teve grande impacto nos bastidores do grande sucesso dos anos 80, seu personagem conduziria do além-vida esse emocionante reencontro, com pontuais aparições em computação gráfica, rendendo uma rara dedicatória escrita durante a projeção, enquanto o filme se conduzia para seu final, permitindo ao elenco original uma despedida eternizada em tela e não imediatamente depois. Eis o motivo do título do filme e sua maior fortaleza em uma grande e sensível condução do diretor Jason Reitman.

O passado encontra o presente quando uma família vai de encontro ao legado do avô, tido por maluco e alienado em uma fazenda afastada. É nesse momento que os espectadores conhecem Phoebe, em uma fantástica interpretação de McKenna Grace, atriz mirim que ainda vai dar muito o que falar, e claramente puxa a genialidade e o gosto do avô, cuja identidade fica óbvia graças ao penteado, adereços e trejeitos da jovem cientista. Um elenco que mescla grandes atores de suporte com novas caras, ao melhor estilo Marvel de fazer cinema, permitindo, assim, tempo de tela à diversos personagens secundários do elenco original e seus visuais à la David Bowie para delírio dos fãs, inclusive, em suas duas cenas pós-créditos, essenciais ao enredo.

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Esse reencontro com o passado se dá exatamente igual como quando se visitam caixas e pertences de um ente querido, de maneira lenta, gradual e cuidadosa, e esse é o ritmo imposto na primeira metade do filme, que dá a impressão de se arrastar, quando, na verdade, permite que a atmosfera de 1989 seja retomada com a calma necessária, fazendo deste um filme oitentista, mesmo passados 32 anos de seu prequel. Aclimatado o espectador, é hora de soltar os cachorros, ou melhor, os fantasmas, literais esqueletos no armário. Melhor do que rever alguns velhos conhecidos é encontrar novos monstros como o divertido e perigoso Muncher, quando entram em cena os jovens e talvez futuros Ghostbusters, no melhor estilo Stranger Things, que compartilha com o filme um de seus protagonistas, Fin Wolfhard, como o irmão nada genial de Phoebe. Assim, armados com as armas de um passado remoto, com direito aos seus bugs e todas suas cicatrizes da primeira batalha de Nova Iorque, o presente encontra o futuro.

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Seguindo a coluna dorsal narrativa da obra original, todas as peças estão colocadas para a grande batalha final, mas nem sempre uma promissora equipe é suficiente para alguns desafios. Nessas horas, e fazendo referência ao maior fan service do filme quando se tem direito a um telefone, quem você vai chamar? Respeito à obra original e cuidado com suas estrelas sem a condescendência com a qual muitas vezes o presente trata o passado e um jovem elenco que confere frescor e identificação com a nova geração, fazendo o passando encontrar o futuro em seu épico final, que fazem desse filme um sensível, emocionante e merecido encerramento ao elenco original, naquele que é de longe um dos melhores filmes de 2021. Bravo.  

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Escrito por Bene!

Um curioso acima de tudo. Amante das artes, busco viver sem rótulos e explorar o que a alma pede. Escrevo sobre o que gosto, amo, odeio, me faz pensar e me faz sentir. Espero que minhas ideias, palavras e ações sejam meu legado. Bem vindos e espero que gostem.